21 Junho 2008

A noticia de que a Comissão Europeia vai tomar medidas para combater o preço do crude deixa-me perplexo.

O preço do crude, nos mercados internacionais, é um equilíbrio entre a oferta e a procura.

Ora, a União Europeia não é produtora de crude mas sim consumidora, tal como os emergentes mercados de consumo desse produto (Índia, China, etc.) tal como o Japão.

Um combate ao preço do crude só pode passar por :

- injectar produto no mercado (será que os Países produtores o podem fazer e durante quanto tempo?)

- reduzir o seu consumo (aumentando o preço aos consumidores ou criar alternativas à sua utilização o que leva tempo ou «pressionar' os grandes consumidores a encontrarem o equilíbrio necessário)

- reduzir os impostos sobre os produtos extraídos do petróleo (sinal errado de que o petróleo é infinito e que não necessitamos de fazer nada, e qual é o limite para tal?)

O problema não é português ou Europeu é essencialmente Mundial e é aqui que têm de ser encontradas as soluções.

Mas mais preocupante é o facto de que o estado providência, de que tanto temos orgulho e bem, pode entrar em ruptura se não for financiado ao nível das necessidades e exigências, cada vez maiores, das sociedades.

Olhemos para o caso português.

O orçamento de estado aponta para uma valor de ISP de 2.760.000.000 € o que equivale a 13 % do total dos impostos indirectos e a 19 % dos impostos directos. Se for efectuada uma redução, digamos 20% desse valor, o que equivale a 552.000.000 € só nos resta aumentar outros impostos ou reduzir os serviços, a serem prestados pela sociedade aos indivíduos, nesse mesmo valor. E para isso 'cortamos' onde?

Para ficar bem visto, na sociedade actual proponho que o aumento seja efectuado no imposto sobre o tabaco, sobre as bebidas alcoólicas e sobre os veículos (que totalizam 2.763.000.000 € o que equivale ao aumento desses impostos em cerca de 18 %). Parece-me uma boa opção para não fazer 'cortes'.

Queremos sempre que outros tomem em nosso lugar, porque é difícil, mas referendar o Tratado de Lisboa, até porque era para dizer NÃO, queríamos ser nós a fazer.

Às vezes não medimos bem o que queremos e as responsabilidades que temos.

 


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