21 Fevereiro 2009

Vou tentar de uma forma simplificada, mais simplista do que simplificada, mostrar a situação que vivemos e que iremos viver no futuro.

Vamos fazer de conta que eu tenho uma quinta onde existe:

- uma vinha, uma adega, uma exploração de gado, um olival, um lagar, uma horta.

Nessa quinta eu, e as pessoas da família (só as pessoas da família lá trabalham e que cada uma das pessoas é responsável por  uma área especifica com excepção dos reformados e das crianças) conseguimos produzir o seguinte:

- uva de mesa, vinho, carne, leite, queijo, azeitona para comer, azeite, legumes e hortícolas

Vamos fazer de conta que para manter a quinta cada uma das pessoas dá uma percentagem do que recebe (digamos 25%) à comunidade, para garantir a manutenção da quinta, a subsistência dos reformados e crianças e os serviços subsidiados pela quinta.

Do que é produzido é gasto 30% para assegurar a vida das pessoas (consumo) e os restantes 70% são vendidos para fora da quinta (exportações) sobre as quais recaiam uma percentagem para a quinta e apoio aos seus habitantes (transferências sociais). Para assegurar a produção é necessário a aquisição de máquinas, a feitura de estradas, etc.. que tornem a quinta mais produtiva (investimento) e simultaneamente a aquisição, noutras quintas, de outros produtos necessários à subsistência dos habitantes (importações).

Vamos assumir que as compras ao exterior são maiores do que as vendas (deficit comercial) e que ainda temos de dar aos reformados e às crianças para assegurar o indispensável e outros serviços subsidados (saude, educação, etc.) e que a manutenção da quinta é mais onerosa do que riqueza que gera (deficit).

Vamos supor que já não conseguimos aumentar mais o que cada habitante dá, do que vende, mas queremos manter o mesmo nivel de consumo.

Só temos como solução pedir ao vizinho que nos empreste os meios necessários para assegurar os compromissos.

Como não geramos os meios necessários e temos de aumentar a produção e produtividade necessitamos de fazer investimentos em novas máquinas, novos caminhos, etc.., pelo que recorremos novamente ao vizinho.

Ao fim de alguns anos, neste sistema, temos uma divida acumulada elevada (tão grande como o que produzimos) e querendo manter as mesmas condições, na quinta, não fazemos os pagamentos comprometidos ao vizinho.

Ele por sua vez que tinha assumido outros compromissos, baseado na confiança dos pagamentos que iríamos fazer, não os consegue cumprir, e mais, deixa de nos emprestar.

De quem é a responsabilidade? Do vizinho que nos emprestou ou nossa que pedimos exageradamente?

Vamos fazer de conta que esta quinta é Portugal.

Pois, a divida vai ter de ser paga.

 

 

publicado por RPF às 16:32
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