03 Abril 2009

Já passou o tempo suficiente para podermos apreciar a decisão de castigar os futebolistas Pereirinha e Rui Pedro pela falha do penalti contra Cabo Verde.

Este tema parece despiciente mas quero fazer uma reflexão sobre a disciplina e as atitudes que se devem ao não privilegiar quando se aplica a disciplina.

A informação que tenho disponível é a seguinte:

- os futebolistas em causa, no jogo contra Cabo Verde realizaram a marcação de um grande penalidade de forma 'inesperada' e, podemos dizer 'inventiva'.

-  o resultado dessa acção levou à não concretização dessa grande penalidade, por intersecção de um defesa, e como tal é vista como um 'erro'.

- o seleccionador nacional da equipa criticou, creio que por falta de sucesso, a opção dos jogadores

- o seleccionador nacional telefonou ao seleccionador da equipa 'exigindo' o castigo dos jogadores

Esta é a informação que detenho e é sobre ela que tecerei os comentários que se seguem.

O castigo em si mostra:

- o seleccionador nacional tem poderes sobre toda a estrutura das selecções (a organização e a hierarquia está bem definida)

- o seleccionador decidiu castigar quem não: opção 1; seguiu as instruções dadas pelo seleccionador ou não segiu 'as regras e canones estabelecidos', opção 2 ; quem se permitiu, em campo, tomar decisões de risco, inventivas e inesperadas.

Para mim, o mais importante, não é o que ele pretendeu sancionar mas sim o 'sinal que transmitiu' e que foi : não aceito o erro, inerente ao risco de decidir de forma inventiva e inesperada. Quem não cumprir, maquinalmente, o que lhe é dito para fazer ou aquilo que é clássico, sofre as consequências.

Ao fazer isto está a fazer do futebol uma actividade com acções planeadas, definidas e planeadas pelo exterior e em que os jogadores não têm margem para tomar decisões e assumir os riscos e os erros.

Em alguns casos vai contra a 'cultura' dos clubes onde esses jogadores foram formados: ex. Não foi Carlos Queirós com atitudes deste tipo que formou Figo, Rui Costa ou Cristiano Ronaldo, que fizeram da imprevisibilidade, do risco das suas acções e do não temer o erro (por não serem castigos mas sim incentivados para tal) aquilo que são hoje.

O que pretende Carlos Queirós? Uma equipa cientifica, planificada onde cada um faz o que lhe foi dito durante a planificação do jogo, ou uma equipa onde cada um assume as suas responsabilidades, o risco das suas acções, conhece as suas capacidades e onde pode mehorar e tem as atitudes adequadas para o sucesso individual e colectivo?

Eu sou adepto do futebol d a imoprevisibilidade da acção dos jogadores do risco e do contributo individual para o resultado do colectivo.

É isso que faz o seu sortilégio e cria os grandes jogadores.

Termino com uma frase de Aubrey C. Daniels e James E. Daniels no seu livro "Measure of a leader", que creio resume o que disse acima - "não se lidera através e resultados, mas sim para obter resultados. E estes só podem ser obtidos através de comportamentos e atitudes positivas".

 

publicado por RPF às 10:29

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